O mito é a primeira leitura do mundo, e o advento de outras abordagens do real não retira do homem aquilo que constitui a raiz de sua inteligibilidade. O mito é o ponto de partida para a compreensão do ser.
Assim, tudo o que pensamos e queremos se situa inicialmente no horizonte da imaginação, nos pressupostos míticos, cujo sentido existencial serve de base para todo o trabalho posterior da razão. A visão mítica está voltada para a vida interior ou subjetiva valorizando uma visão qualitativa e antropomórfica que reflita nossos anseios, medos ou esperanças sobre a realidade.
Contudo seria um erro imaginar que os povos antigos viviam em completa confusão em consequência de sua visão mítica de mundo. Nós mesmos, com nossa visão racionalista estamos sujeitos a confundir a realidade com nossos desejos, especialmente quando enfrentamos uma situação de grave constrangimento.